Mulheres – Leila Diniz

Hoje é dia de homenagear uma mulher que soube se impôr e expôr e, assim, ajudou a modificar toda uma cultura machista. Hoje é dia de Leila Diniz.

Vou começar sua história pelo fim, sua morte, aos 27 anos, em um acidente aéreo quando voltava de uma viagem à Austrália. Optei pela ordem inversa para que todos entendam a intensidade de tudo que foi vivido.

Professora do jardim de infância, Leila Diniz se apaixonou e se casou muito cedo. Aos 17 anos conheceu o cineasta Domingos de Oliveira, com quem viveu junto por três anos. Foi nessa época em que iniciou sua carreira de atriz. Primeiro estreou no teatro e logo depois  foi contratada pela Globo para fazer novelas.

Linda e atraente, Leila Diniz era uma mulher à frente do seu tempo. Concedeu entrevistas autênticas e chocou a todos ao declarar que fazia sexo pela manhã, à tarde e à noite. A matéria do jornal O Pasquim com a atriz foi o estopim para que fosse instaurada a censura prévia à imprensa, conhecida como Decreto Leila Diniz. Nessa entrevista, Leila usou vários palavrões e disse ser possível amar um homem e dormir com outro: “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo.”

Criticada por seu modo de viver e de dizer a verdade, a atriz foi alvo dos conservadores mais uma vez ao exibir sua gravidez, de biquini, na praia. Sua filha, Janaína Diniz Guerra, foi fruto do seu relacionamento com Ruy Guerra.

Alvo de perseguições políticas, Leila Diniz foi perseguida pela polícia, acusada de ter ajudado militantes de esquerda. Se escondeu no sítio do colega de trabalho Flávio Cavalcanti, jornalista, apresentador e compositor, que a convidou para ser jurada em seu programa.

Com tantas confusões, a Rede Globo não renovou seu contrato e Leila passou a sofrer preconceito de autores e diretores. Janete Clair chegou a justificar a decisão da emissora dizendo que não haveriam papéis de prostitutas nas próximas novelas.

Pouco tempo depois, Leila Diniz trouxe de volta o teatro de revista e se consagrou como a rainha das vedetes. No carnaval de 71 foi eleita rainha da Banda de Ipanema pelo fundador Abílio Pinheiro.

Com a sua morte, a atriz Marieta Severo (melhor amiga de Leila) e Chico Buarque cuidaram da filha de Leila Diniz até que Ruy Guerra, pai da menina, tivesse condição de assumi-la.

O cunhado de Leila foi até o local do acidente para resolver questões legais e acabou encontrando o diário da atriz. A última frase do caderno parece se referir ao acidente: “Está acontecendo alguma coisa muito es…”.

Por que ela é inspiradora

Leila Diniz se expôs, chocou e sofreu para que nós pudéssemos ter a liberdade de viver. Defensora do amor livre e do direito ao prazer, Leila rompeu conceitos por meio de suas ideias e atitudes e foi símbolo da nossa revolução feminina.

“Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma espécie de escravidão.” (Carlos Drummond de Andrade)

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